Super Team

Aprendi a bordar muito pequena, sozinha, entre livros e revistas de lavores. Já crescida, perguntei à minha filha se gostava que a ensinasse. Respondeu: - "A agulha pica!". Quis mostrar-lhe que não. Quando é usada com a cabeça e o coração, a agulha não pica! Promessa de bordadeira!    

Gabriela Moreira Pereira 

Fui professora de “crescidos” durante quinze anos… Em vez de agulhas e bastidores usava fórmulas e gráficos que pareciam difíceis. Cedo percebi que o medo do que é difícil é um terrível inimigo para quem quer aprender e que esse medo se ultrapassa aprendendo com a cabeça e o coração... Seja com agulhas ou com fórmulas complicadas...Para contrariar o medo de aprender o que parece difícil, resolvi garantir que “agulha não pica”, acreditando que nos podemos treinar a enfrentar o medo, mesmo que seja a bordar...

Com as agulhas, e atrás dos nossos bordados, acabei por conhecer muito de Portugal, o que me inspira em todos os produtos que crio. Os taleigos, que são oficinas (e não kits de bordados), e o farnel, que é uma brincadeira com rolhas, são bons exemplos. Nesses caminhos cruzei-me com produtos tradicionais que me surpreenderam e me animaram a reinventar aplicações para o seu uso.

Comecei pela cortiça... Embora não possa assegurar que seja recíproco, quanto a mim, sofro de uma paixão assolapada... E já deu frutos... Os colos, tabuleiros para suporte de portáteis, só em cortiça e algodão e 100% portugueses, que parecem trazer o "mundo ao colo"... O burel foi uma descoberta mais recente, mas muito inspiradora, usado nas capuchas, bolsas a pensar nos portáteis vaidosos.

É a vontade de (re)criar formas de ser sustentavelmente portuguesas que me move, sempre inspirada pelo encanto das pequenas coisas...

Muitos frutos da cabeça e do coração é o que desejo para todos!

A carta de apresentação agulha não pica e mundaocolo fala mais dos meus projectos...

Oeiras, Março de 2011